Comportamento

Mas já?

| 23 de setembro de 2019

Mas já são 5 horas da tarde? Mas já é setembro? Mas já estamos na sexta-feira? A sensação de não “ver” o tempo passar ou de não ter noção de como ele passou é quase constante.

Trabalho, TCC, amigos, família, problemas, preguiça, stress… Tudo isso consome o tempo de forma, muitas vezes, imperceptível. Em um momento de tranquilidade, em meio ao vai e vem de repórteres na redação, me peguei pensando: “Mas já estou no fim da faculdade? O mês de agosto já acabou?”.

A ansiedade para começar a graduação veio acompanhada da sensação de que aquele seria um ciclo longo. O tão sonhado diploma e o trabalho de conclusão de curso, apelidado carinhosamente de TCC, pareciam bem distantes. Ao pensar em todo o percurso até lá, o fim da trajetória não se mostrava evidente. 

“Tragam o tema do TCC na próxima aula.” O sexto semestre começou e trouxe junto o início do fim. Mas já? A pergunta na ponta língua e a incredulidade de que aquele momento que estava longe se aproximou sem pedir licença. Pesquisas, criações, edições, mil e uma tarefas surgiram da noite para o dia e junto a TCCite – uma síndrome ainda sem tratamento eficaz. Os atingidos por ela pensam a todo o momento no trabalho final, buscam inspirações de forma incessante, passam noites em claro e na maioria dos casos, uma quantidade excessiva de estresse. Nas situações mais graves, pode vir acompanhada de louca vontade de jogar tudo para o alto e sair correndo sem olhar para trás.

Embora o último ano seja resumido, algumas milhares de vezes, como “só” o TCC, ele traz consigo o fechamento de um ciclo muito aguardado. O desejo de poder estudar só o que gosta e de trabalhar com a profissão dos sonhos cria um grande encantamento com a graduação. Aulas não tão interessantes, milhões de trabalhos e provas podem parecer tirar o encanto desta fase. Em contrapartida, a possibilidade de fazer novas amizades e as experiências na profissão são a motivação para prosseguir.

Alguns rezam para acabar logo, enquanto outros começam a vivenciar a nostalgia daquilo que ainda não se encerrou. O fato é que a faculdade deixa suas marcas. Positivas ou negativas, é impossível (ou quase) finalizar a graduação e sair ileso de suas marcas.

Novas responsabilidades, a capacidade de exercer uma profissão e mudanças de ponto de vista são algumas delas. Mas, talvez, o maior ensinamento esteja na percepção de que uma escolha não precisa definir a vida inteira e que os diversos ciclos de viver nos mostram que é possível recomeçar a qualquer momento.

A tensão de escolher uma profissão na inscrição do vestibular e a sensação de que aquela era A escolha, aos poucos e com o passar dos anos, vai dando espaço a uma nova forma de ver a vida e a habilidade de reconhecer que aprender não está somente em acertar, e que errar é parte do processo. Mais do que isso: o que é erro para um pode ser acerto para outro.

Mas já? Já! Em breve mais um ciclo se fecha e o próximo já vem se aproximando para, num piscar de olhos, roubar o lugar do anterior. Ele pode ser a prática da faculdade ou a abertura para um nova carreira que começa com um saldo positivo – afinal, já se sabe que dentre as infinitas opções para serem seguidas, uma delas não agrada. E que venham outras etapas, todos os questionamentos de “mas já?” e, junto com eles, a oportunidade de reconhecer e aprimorar um novo horizonte.

Por Amanda Nascimento e Elizabeth Matravolgyi

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.