Moda

É preciso (re)consumir

| 22 de setembro de 2019

Vivemos em um mundo onde o ter é mais importante do que o ser. Com tantas novidades surgindo em um espaço de tempo muito pequeno, nossa adaptação se tornou uma fuga da realidade. 

Esse conceito já aparece em nossos estudos há muitos anos. O sociólogo Zygmund Bauman  falava sobre a ideia de modernidade líquida, que segundo ele, seria o momento histórico que vivemos, quando as instituições, as ideias e as relações entre as pessoas se transformam de forma muito rápida e imprevisível.

Os mercados cresceram, assim como o interesse pela moda. O processo de fabricação já não podia levar quatro meses desde a concepção até a venda no varejo – por isso,  toda a cadeia de produção teve de ser encurtada. A partir dos anos 2000, com o mercado cada vez mais competitivo, surge a necessidade dos varejistas de vestuário se esforçarem para que possam ser os mais rápidos a lançar novos produtos, comprometendo, assim, a qualidade dos produtos. A indústria passa a incentivar a criação de um desejo sobre as coisas por meio do marketing. É o começo da tendência fast fashion e de uma epidemia de roupas consideradas descartáveis. Essa vontade de consumir a todo instante para manter as aparências traz malefícios significativos – porém imperceptíveis – para nós, dentro de nossas próprias bolhas sociais. 

Fast fashion nada mais é do que a fabricação em larga escala de roupas que (geralmente) possuem qualidade baixa. Isso acontece após uma série de análises das empresas em relação às peças que mais resultam em lucro e, em seguida, partem para a produção desenfreada das mesmas para abastecer suas lojas ao redor do mundo.

Quais os malefícios disso? O trabalho escravo, que tem aumentado gradativamente, na necessidade de uma produção cada vez mais ágil para suprir nossas efêmeras necessidades; e as emissões de carbono que chegam a ser 400% maiores do que fabricações comuns, causando um impacto fortíssimo na natureza. Se formos levar mais a fundo, o consumo consciente está além da forma como compramos: é economia financeira e uma forma de fazer política pública.

Por Marcella Costa e Marina Marques

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